A PlacaRoxa

Na noite em que Gabi morreu, a placa roxa estava pendurada na porta. Ninguém viu quem entrou.

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Capa de A Placa Roxa: uma jovem de costas numa rua molhada da Cidade Velha à noite, diante de uma venda com uma placa roxa pendurada.

A história

Sete jovens, uma venda de açaí e um sinal na porta

Belém, outubro de 1978. Numa venda de açaí da Cidade Velha, uma pequena placa roxa pendurada na porta avisa a sete jovens que é seguro entrar. Nos fundos, entre caixas e panfletos, eles discutem política, leem o que a censura proíbe e acreditam ter encontrado um lugar só deles.

Até a noite em que Isabel, dezessete anos e leitora voraz de romances policiais, chega para a reunião e encontra Gabriel, seu melhor amigo, morto no depósito.

Enquanto a polícia parece mais interessada nos panfletos do que no assassino, Isabel decide investigar por conta própria. Cada resposta abre um novo segredo.

Conhecer alguém nunca significa saber tudo do que essa pessoa é capaz.

Passe a lanterna

Pistas: um caderno de anotações, uma denúncia anônima, uma amiga que mente, um amor que não podia ser dito.

Quem é quem

Os Sete

Durante sete meses, eles se reuniram nos fundos da venda de Dona Nazica. Numa quarta-feira de outubro, passaram a ser seis.

01 / 07

1Retrato de Isabel Farias
Isabel Farias17 anos

Curiosa e atenta, adora romances policiais. Entre a casa dos pais e as amizades, começa a questionar suas certezas.

18/10/19782Retrato de Gabi Teixeira
Gabi Teixeira18 anos

Inteligente, irônico e observador. Registra detalhes em seus cadernos e nota o que outros deixam escapar.

3Retrato de Davi Nascimento
Davi Nascimento19 anos

Reservado, sensível e leal. Prefere ouvir a falar e se preocupa profundamente com aqueles de quem gosta.

4Retrato de Lia Batista
Lia Batista20 anos

Costureira, prática e determinada. Ajuda a sustentar a família e procura manter Nina protegida.

5Retrato de Rosa do Carmo
Rosa do Carmo19 anos

Filha de Dona Nazica, trabalha na venda de açaí e ajuda a organizar os encontros do grupo. Firme e cautelosa.

6Retrato de Caio Albuquerque
Caio Albuquerque22 anos

Universitário, eloquente e combativo. É o mais inflamado nas discussões políticas e questiona a passividade.

7Retrato de Nando Almeida
Nando Almeida21 anos

Trabalha numa gráfica e imprime textos do grupo. Atento, inquieto e desconfiado, percebe os riscos antes dos outros.

O combinado

Se a placa roxa estivesse pendurada junto à entrada, podiam entrar. Se não estivesse, deviam seguir caminho.

Leia o começo

Capítulo 1 · A Placa Roxa

CONFIDENCIAL · 18/10/1978

Na noite em que Gabi morreu, a placa roxa estava pendurada na entrada da venda.

Lembro disso com uma clareza que chega a me incomodar. Não da roupa que eu vestia, nem do que havia comido no almoço, tampouco do rosto das pessoas que encontrei pelo caminho. Lembro da placa, ligeiramente torta, presa por um barbante à esquerda da porta.

Era quarta-feira, 18 de outubro de 1978.

Em Belém, o calor daquele fim de tarde parecia ter ficado preso entre as casas. Eu havia saído do Jurunas pouco depois das seis, inventando para minha mãe uma visita à casa de uma colega de escola. Não era exatamente uma mentira. Rosa tinha estudado comigo durante alguns meses, e eu realmente pretendia encontrá-la. Apenas omiti as outras cinco pessoas que deveriam estar presentes e, naturalmente, o motivo da reunião.

Minha mãe teria considerado ambas as informações suficientes para me proibir de sair.

A Cidade Velha já começava a escurecer quando entrei na Rua Dr. Assis. Algumas portas permaneciam abertas. Uma mulher recolhia roupas de um varal, dois homens conversavam diante de uma casa de janelas altas e, mais adiante, um menino empurrava uma bicicleta grande demais para suas pernas.

A venda de Dona Nazica ficava numa casa antiga, estreita na frente e comprida nos fundos. A pintura das paredes havia perdido a cor em vários pontos, e a porta de madeira rangia quando alguém a empurrava com força. O cheiro de açaí se misturava ao de madeira úmida e ao de uma panela que fervia em algum lugar da casa.

Conhecia aquele estabelecimento havia quase sete meses.

Durante o dia, Dona Nazica vendia açaí aos moradores da vizinhança. À noite, quando o movimento diminuía, Rosa nos permitia utilizar o depósito dos fundos para nossas reuniões.

O combinado era simples: se a pequena placa roxa estivesse pendurada junto à entrada, poderíamos entrar. Se não estivesse, deveríamos seguir caminho.

Foi Rosa quem inventou o sinal. Dizia que ninguém desconfiaria de uma placa colorida numa venda de açaí.

Caio achava o sistema infantil. Gabi respondia que as melhores ideias costumavam parecer infantis aos olhos de quem gostava de complicar as coisas.

Eu concordava com Gabi.

Naquela noite, como a placa estava lá, entrei sem hesitar.

Dona Nazica encontrava-se atrás do balcão, acomodando uma vasilha diante de um freguês. Usava o mesmo vestido estampado que parecia vestir todas as quartas-feiras, embora eu soubesse que possuía outros. Um pequeno rádio, apoiado numa prateleira, transmitia uma voz masculina que mal se distinguia da conversa dos presentes.

— Boa noite, Dona Nazica.

Ela ergueu os olhos.

— Boa noite, minha filha. Veio estudar?

Era assim que se referia às nossas reuniões.

— Vim, sim. Rosa está aí?

— Saiu para resolver uma coisa. Ainda não voltou.

Olhei para o relógio que meu pai tinha me dado no aniversário de dezesseis anos. Faltavam cinco minutos para as sete.

Rosa raramente se atrasava.

Trilha sonora

O rádio da venda

As canções que tocam no livro e outras de 1978 e de anos anteriores, para ouvir enquanto lê.

Aperte o play. Com o Spotify aberto no celular, as músicas tocam inteiras.

  1. Garota do TacacáPinduca
  2. Foi AssimFafá de Belém
  3. Como Nossos PaisElis Regina
  4. Esse Rio É Minha RuaFafá de Belém
  5. Acorda AmorChico Buarque
  6. PauapixunaFafá de Belém
  7. Apenas um Rapaz Latino-AmericanoBelchior
  8. Sangue LatinoSecos & Molhados
  9. Sinhá PurezaPinduca
  10. Meu Caro AmigoChico Buarque
  11. Tamba-TajáFafá de Belém
O caminho de Isabel

A Belém de 1978

01

Jurunas

O bairro de Isabel e do armarinho da família, de onde ela sai às seis da tarde inventando uma visita a uma colega.

02

Ver-o-Peso

Onde Gabi, olhando os barcos, fala pela primeira vez de uma pessoa presa por causa de uma mentira.

03

Praça da República

Ponto de encontro e de conversas que só podiam acontecer longe de casa.

04

São Brás

Entre ônibus e vendedores, um homem de camisa bege pergunta mais do que deveria.

05

Icoaraci

Do outro lado do caminho do rio, uma casa simples onde talvez seja possível dormir sem medo.

◆

Cidade Velha · Rua Dr. Assis

A venda de Dona Nazica: estreita na frente, comprida nos fundos, com cheiro de açaí e madeira úmida. E uma placa roxa na porta.

Sobre o livro

André Luiz Pereira

A Placa Roxa é o primeiro romance de André Luiz Pereira: um policial histórico ambientado nos últimos anos da ditadura, com a música, as ruas e o calor de Belém do Pará.

Ideia, roteiro e desfecho de André Luiz Pereira. Texto e ilustrações gerados com inteligência artificial e aprovados pelo autor.

Além do livro

Contos da Placa Roxa

Nas redes, a história continua por outras portas: contos dos personagens secundários, com o que eles viveram longe dos fundos da venda.

CONTANDO AGORA

Dra. Tereza Nobre

O conto está sendo publicado agora no Instagram e no TikTok @contosdaplacaroxa.

A placa está pendurada.
Entre.